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Hands-on: Canon G1 X

Postado por Mario Amaya em 30/01/2012 às 12h 29min

Ainda não está à venda, mas já brincamos com ela!





A Canon acrescentou um novo modelo à sua consagrada série de câmeras compactas para profissionais. Não se trata da uma substituta para a G12, e sim de um novo modelo com especificação superior, a G1 X. A ideia é manter as duas câmeras à venda, custando a G1 X US$ 800 e a G12 US$ 400, metade do preço. A G1 X estará à venda oficialmente a partir de 31 de março, mas a Canon já trouxe uma para testes em São Paulo e aproveitamos para conferir rapidamente o que ela traz.

Externamente muito similar à G12, por dentro a G1 X é uma outra máquina, com um exclusivo sensor de 14,3MP numa dimensão completamente nova. Compare as respectivas dimensões dos sensores (com o fator de corte entre parênteses) para várias câmeras:

Full-frame – 36x23,9mm (1,0x)
Canon APS-C – 22,2x14,8mm (1,62x)
Canon G1 X – 18,7x14mm (1,85x)
Micro 4/3 (Panasonic G e Olympus Pen) – 17,3x13mm (2x)
Nikon CX – 13,2x8,8mm (2,81x)
Canon G12 – 7,6x5,7mm (4,55x)
Canon SX230 IS – 5,8x4,3mm (6x)


O sensor da G1 X é apenas um pouco menor que os APS-C usados na maioria das câmeras reflex (de EOS 7D para baixo): a altura é quase igual e a largura é mais estreita, seguindo a proporção 4:3, tradicional entre as compactas. A densidade dos pixels no sensor é muito similar à do sensor de 18MP utilizado na EOS 7D, o que sugere um nível de qualidade de imagem semelhante.

Um sensor grande numa câmera compacta é uma espécie de Santo Graal da fotografia, alcançado apenas por câmeras de luxo como a Fujifilm X100 ou Leica X1, além da nova geração de compactas com lente intercambiável: Sony NEX, Samsung NX, Panasonic G e Olympus Pen. Claro que a maioria delas é compacta pero no mucho, já que não cabem num bolso de camisa, mas estão longe de terem o tamanho de uma DSLR. Vários desses produtos mencionados possuem lentes intercambiáveis como as DSLRs, mas a Canon preferiu – ao menos por enquanto – não seguir a multidão lançando mais uma câmera desse tipo. Preferiu em vez disso aprimorar ainda mais a sua compacta premium.

Essa estratégia conservadora faz sentido para quem já utiliza uma DSLR e deseja uma segunda câmera de alta qualidade, mas pela sua relação custo/benefício pode ser perfeitamente que a G1 X roube as vendas de algumas Rebels para iniciantes e entusiastas, especialmente aqueles que não têm expressa intenção de colecionar lentes para suas câmeras.








A primeira impressão visual da G1 X é que ela é uma G12 mais alta, sendo a diferença mais notável o flash pop-up, que ao ser estendido fica bem mais afastado da lente que o flash embutido da G12. A lente também é consideravelmente maior em volume. Não dá para esquecer que esta câmera contém um sensor com seis vezes mais área que o da G12.

Como este é um artigo de primeiras impressões, é claro que não dará uma visão total da câmera – mesmo porque, além do tempo, o espaço disponível para experimentá-la era restrito. Porém, eis os pontos que nos chamaram a atenção de imediato.


PRÓ



• Os controles são os mesmos da G12, exceto o dial de compensação de exposição, que fica no lugar onde na G12 se encontra o dial de ISO. Mudança aceitável e mais alinhada com as outras câmeras compactas que possuem controles manuais acessíveis. No mesmo eixo desse dial está o seletor de funções, que inclui dois presets do usuário (C1 e C2) junto com os tradicionais modos manuais P, Av, Tv, M (P, A, S, M no linguajar de quem não usa Canon).

• A lente tem zoom motorizado com distância focal de 60,4–16,1mm, equivalente a 28–112mm em full-frame. A abertura máxima vai de f/2.8 a 5.8.

• O visor óptico é basicamente o mesmo da G12, extremamente simples, mas é melhor do que só ter o LCD como opção para compor. Se bem que, por ser articulado e de alta resolução, o LCD acaba sendo mais prático e confortável para a maioria das circunstâncias.

• Compatível com os Speedlites da Canon, incluindo os novos 270EX II e 320EX, além de adaptador frontal para filtros com rosca de 58mm.

• Movie Digest, uma função intrigante que produz clipes de vídeo compostos de tomadas curtas obtidas durante os cliques. É um belo criador de “making of”.

• Suporte a arquivos RAW com 14 bits por canal, como nas recentes DSLRs da marca.

• Nível eletrônico na tela, também como nas DSLRs mais modernas da Canon.

• Estabilização (IS) com seis tipos diferentes de correção, acionados automaticamente conforme a cena detectada.


CONTRA

• O seletor de ISO externo faz falta!

• No modo automático P, a câmera prioriza ISOs mais baixos e seleciona tempos de exposição muito longos, a ponto de permitir registrar vibrações e movimento mesmo com a estabilização ativada.

• Mudar o balanço de abertura e tempo no modo P não é mera questão de girar uma rodinha como nas DSLRs: é preciso apertar o botão [*] e então mexer na roda de controle traseira, perdendo tempo.

• O Auto ISO vai até 1600, mas seria perfeitamente aceitável que fosse possível usar 3200 como nas DSLRs modernas.

• O botão de disparo é excessivamente sensível, a ponto de tornar fácil fazer fotos sem querer quando a ideia era somente focalizar a cena.

• O “shutter lag” é pronunciado em baixa luz. Ao apertar o disparador, ela rouba tempo para acertar exposição e foco antes de registrar a foto. Como esse comportamento é igual ao de inúmeras outras câmeras compactas, você não vai esquecer que a G1 X não é uma substituta direta para uma DSLR, que nunca demora para capturar a foto ao se apertar o botão.

• A velocidade em captura contínua (burst) é baixa, mesmo para uma compacta: 1,9 fps.

• Ao usar a compensação de exposição, a imagem ao vivo no LCD não muda para refletir aquilo que será capturado na foto de acordo com o ajuste no dial. Pode ser que não seja necessariamente assim, pois nas DSLRs da Canon essa capacidade de simular o brilho da cena na tela ao vivo é um ajuste opcional, mas não achei essa opção na G1 X.

• Ao capturar vídeo, o zoom motorizado pode ser usado livremente durante a tomada, mas causa ruído no microfone interno.


FOTOS DE TESTE

A seguir, algumas fotos de teste, cada uma acompanhada de um corte a 100% (um pixel da tela para cada pixel da foto) numa área em foco. Os JPEGs foram feitos com os ajustes padrão de fábrica – a condição em que a câmera se apresenta para uso normal. Todas as fotos são noturnas e com luz artificial, o que por si só estabelece um desafio técnico para a câmera.





15,1mm, f/2.8, +3EV, 1/100, ISO 250





57,4mm, f/5.6, 1/13, ISO 250





46,1mm, f/5.6, 1/25, ISO 800





24,1mm, f/5.6, 1/25, -1EV, ISO 800





21,3mm, f/4, 1/40, +1/3EV, ISO 800





33mm, f/5, 1/20, +1/3EV, ISO 800


Em modo P ou Av, a câmera tende a selecionar tempos de exposição muito longos e ISOs muito baixos, arriscando-se a perder fotos por borrão de movimento. Compreende-se que os projetistas da Canon tiveram em mente que todo mundo ficaria extremamente curioso em relação aos níveis de ruído das fotos, e por isso escolheram deliberadamente que ela operasse em ISOs muito baixos. Por outro lado, com 1/20 de exposição ou mais lento que isso, o IS não pode fazer milagres e de fato não faz.

Pretendo retornar para uma segunda rodada de testes à luz do dia com a câmera, mas por estas fotos deu para perceber que o programa do modo P não é adequado para baixa luz. O usuário deve convencê-la a operar de maneira mais segura, seja prefixando o tempo de exposição ou prefixando o ISO. Infelizmente o ISO não é selecionável manualmente do topo da câmera, como nas G anteriores, e sim através do menu, o que dificulta as coisas.

Como era de se esperar, o ruído em ISO alto impressiona bem, pois é realmente comparável com o que se obtém com uma DSLR. ISO 800 é perfeitamente usável para aplicações sérias, compensando o fato de a lente ser relativamente escura (f/2.8 em posição grande-angular). Porém, o ajuste padrão de sharpening (nitidez) em JPEGs é excessivo, gerando halos nos contornos de alto contraste. Se essa câmera fosse minha, eu só faria RAW com ela, já que no pós-processamento é possível atingir a nitidez ideal sem criar os halos. Em compensação, o balanço de brancos faz um trabalho admirável para equilibrar a mistura de fontes de luz com temperaturas diferentes.

Em resumo, é uma câmera de grande potencial para fotógrafos sérios, mas não é porque você é proficiente com sua DSLR ou compacta atual que vai pegar a G1 X e sair fazendo lindas fotos imediatamente. Assim como aconteceu com a grande novidade do ano passado, a Fujifilm X100, ela possui várias manhas que precisam ser conhecidas e estudadas para se obter efetivamente os excelentes resultados de que ela é capaz.



TAGS    teste   canon   Compacta   preview


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COMENTÁRIOS
por Michel Assis em 05/06/2013 às 13h 46min Responder
Excelente

Parabéns pela excelente matéria.





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