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Test drive: Fujifilm FinePix HS20 EXR

Postado por Mario Amaya em 05/08/2011 às 14h 14min

Parece uma DSLR, mas não é





Já que todo mundo percebeu que não faz mais sentido aumentar o número de pixels dos sensores pequenos das câmeras compactas, os fabricantes estão produzindo objetivas zoom cada vez mais extremas para equipá-las. A tendência é representada pelas linhas FZ da Panasonic, SX da Canon, HS da Sony, HZ da Samsung, Z da Kodak, P da Nikon, EX da Casio e UZ da Olympus – além das séries FinePix S e FinePix HS da Fujifilm. Sim, é um mercado concorrido!

A Fujifilm é uma companhia bem conhecida por pensar diferente ao criar suas câmeras; isso se expressa na sofisticação técnica da FinePix HS20 EXR, uma faz-tudo de topo de linha cuja missão é não deixar o entusiasta sentir falta de uma DSLR (câmera reflex de lente intercambiável). Dentre todas as câmeras mencionadas acima, ela é a maior e também a que mais se parece fisicamente com uma DSLR, oferecendo todos os controles manuais e mais um pouco. O corpo tem acabamento em quatro materiais diferentes e uma empunhadura muito confortável. A lente vai de 24mm a f/2.8 a assombrosos 720mm a f/5.6 (distâncias focais equivalentes em full-frame).



A principal concorrente da HS20 é a Canon SX30 IS, que atinge o equivalente a 24–840mm (35x). Em segundo lugar vem a Olympus SP-800UZ, que vai de 28 a 840mm (30x). O zoom mais longo que pode ser obtido hoje com uma compacta é de 1020mm, com a Panasonic Lumix DMC-FZ100 (lente de 25–600mm, 24x) tunada com o teleconversor 1,7x especialmente produzido para essa câmera. Por fim, existe a Sony DSC-HX100V, também com 30x de zoom (27–810mm).

Note que existe um limite prático para o quanto se pode estender uma lente e ainda obter uma foto aproveitável com uma câmera de sensor pequeno. Mas enquanto essas lentes cada vez mais longas continuarem a fazer sucesso, a tendência de estendê-las irá prosseguir.







Estas fotos foram tomadas do mesmo local e direção, a porta da loja Fnac Paulista. A primeira a 24mm, a segunda a 100mm e a terceira a 720mm. A sequência dá uma ideia da amplitude colossal
do alcance de sua objetiva. A entrada do Metrô, no centro de todas as fotos, está a exatamente 400 metros de distância do fotógrafo.








Mais um exemplo do poder da HS20, usando as mesmas distâncias focais. Do fotógrafo até a pessoa na calçada oposta da avenida, a distância exata é de 30 metros. (A mancha na última foto é o rastro da passagem de um carro.)



Tem muita gente na Internet tentando comparar a HS20 e algumas das suas concorrentes, especialmente a Sony e a Canon, a DSLRs como a Canon T3i e a Nikon D5100. Pelo menos por fora, elas são todas muito parecidas! Todavia, essa comparação é completamente indevida, pois as DSLRs não buscam o mesmo público. A única coisa razoavelmente semelhante entre a HS20 e as DSLRs são o formato do corpo e os controles disponíveis. A HS20 tem um sensor pequenino, cujo desempenho em baixa luz não tem chance de competir com os das DSLRs. Em compensação, justamente por causa do sensor pequenino, sua lente integrada atinge uma amplitude de zoom inconcebível numa lente para DSLR. Distâncias focais equivalentes só se obteriam numa DSLR com uma lente especializada imensa, que custaria o equivalente a um carro. A HS20 custa US$ 500 no exterior – em torno de R$ 2300 nas nossas grandes lojas.

Posto isso, não será surpreendente se no ano que vem aparecer uma câmera dessa categoria com lente de 1000mm – e um monte de gente vai se perguntar para que, afinal, serve uma coisa dessas.


Sensor tunado

A HS20 é uma atualização da HS10, que já tinha uma lente similar; a diferença principal está no novo sensor de 16MP. A Fujifilm usa, como de costume, um sensor exclusivo que busca contornar os problemas mais importantes de qualquer câmera compacta: amplitude dinâmica (latitude) e ruído.

A sigla EXR refere-se a essa tecnologia de sensor exclusiva da Fujifilm. É um CMOS retroiluminado no qual os photosites – os sensores individuais para as cores primárias R, G e B – estão arranjados de forma diferente do habitual, em diagonal e com menos intercalação entre as cores. Segundo a Fujifilm, isso permite diminuir o aparecimento de cores falsas (moiré) e ruído de croma. Além disso, a câmera faz duas leituras do sensor a cada foto, uma para as altas-luzes e outra para as sombras, e as combina automaticamente numa imagem com latitude estendida, o que ajuda a prevenir estouros de luz e perda de detalhes nas sombras - dois pontos problemáticos em todas as câmeras compactas.

Até ISO 800 o ruído simplesmente não chega a incomodar, algo que que não pode ser dito das câmeras compactas em geral. Em ISOs baixos, os resultados são razoavelmente comparáveis aos das DSLRs amadoras – tirando a diferença de que a lente produz uma profundidade de campo 5,7 vezes mais extensa para a mesma abertura numa distância focal equivalente; isso não ajuda muito em retratos, mas é desejável para macros. Nas distiancias focais mais curtas (grande-angulares), a abertura de f/2.8 da lente ajuda a não precisar subir muito o ISO. Como se trata de um sensor pequeno, os JPGs apresentam ruído visível até nos ISOs baixos, mas ao contrário de outras marcas, a Fujifilm não tenta plastificar a aparência da imagem para disfarçar a granulação. Por isso, nem o ruído chama a atenção para si, nem os detalhes da imagem parecem borrados demais – um resultado natural e que outros fabricantes poderiam buscar também. Em ISO 1600 começa a ficar visível a perda de detalhes, mas ainda não é nada que incomode em fotos impressas a 10x15cm. Valores de sensibilidade ISO 3200, 6400 e 12800 também estão disponíveis, mas neles a imagem se deteriora tanto que eles devem ser usados com extrema prudência.

A alta velocidade da parte eletrônica habilita a câmera a fazer até 8 fotos por segundo e também tomadas de vídeo em Full HD (1080p a até 30fps ou 720p a até 60fps), no formato H.264, com som estéreo. Como o zoom é manual, você até pode experimentar colocar o autofoco em servo contínuo e fazer suaves mudanças no zoom enquanto filma, com o foco acompanhando tudo, como numa camcorder; mas será difícil obter um movimento suave no barril da lente. Por outro lado, o LCD basculante (similar aos das Sony NEX) é imprescindível para compor tomadas em filmagens, não é apenas útil em fotografia de ângulos criativos – como muitos articulistas repetem, sem entender que o visor móvel em câmeras fotográficas é uma influência clara e direta das camcorders. Se você quiser usar o visor ocular eletrônico (EVF), a câmera possui o sensor de olho que desativa automaticamente o LCD e liga o EVF, como nas DSLRs da Canon. Em outras câmeras superzoom, é preciso apertar um botão para trocar o visor. Mas a definição de imagem no LCD é muito maior que no EVF, o que acaba limitando o seu uso a tomadas em contraluz ou sob sol forte.




A ergonomia da HS20 é tão próxima da de uma DSLR que a operação é natural desde o primeiro instante. Se preferir, pode deixar tudo no automático e não se preocupar com os controles.


Sobre o EVF há um flash embutido e também uma sapata para flash dedicado, que aceita apenas dois modelos específicos de flash da Fujifilm, um com cabeça móvel e outro fixo.

Um recurso curioso da HS20 é que você pode gravar os arquivos RAW de suas fotos, além dos JPGs de costume. Ou você ajusta isso no menu, ou quando precisar de uma foto individual em RAW, aperta o botão dentro do controle direcional – isso mesmo, ela tem um botão para RAW! A gravação no cartão de memória é muito lenta (afinal, cada arquivo RAW tem 25 MB, contra 4MB para o JPG correspondente), tornando o uso normal da câmera quase impraticável. Ao abrir o RAW em seu computador, você verá que a lente produz uma distorção geométrica considerável. Essa distorção decorre do design da lente e não representa um defeito na imagem, já que é corrigida automaticamente na versão em JPEG da mesma foto.

Em JPEG, o ajuste normal de cores da câmera produz imagens relativamente frias e dessaturadas. Mas também há as simulações dos famosos filmes Provia e Velvia (este é especialmente recomendado) e também os habituais modos sépia e preto e branco.


Quem precisa de um zoom tão longo?

Esta câmera não foi concebida para clicar fotos de família e amigos na balada – para isso existem centenas de modelos baratinhos que cabem no bolso –, mas sim para levá-la a safáris africanos, cruzeiros oceânicos, jogos de futebol, excursões de turismo em ônibus abertos – situações nas quais o pré-requisito do sucesso é um alcance óptico poderoso. Com a vantagem de não ter necessidade de interromper a tomada de fotos para trocar lentes ou instalar acessórios.

O modelo de negócio das superzooms é diferente. Com a DSLR, você adquire o corpo junto com uma lente e depois adiciona outras lentes que atendam às suas intenções fotográficas. A HS20, por sua vez, busca honestamente fazer de tudo. Naturalmente, o zoom extremo só é plenamente utilizável em externas ensolaradas, de preferência com tripé e ISO alto, pois mesmo com estabilização ainda é possível fazer a imagem tremer, e nos modos automáticos o ISO sobe para amplificar a pouca luz que entra pela lente, com apenas f/5.6 de abertura máxima no zoom máximo. Ao cair do crepúsculo, surgem as seguintes circunstâncias desconfortáveis: ou o seu tremor da mão vence a estabilização da lente, ou o próprio assunto se move demais e fica borrado, ou a câmera não consegue mais encontrar o foco, ou você se obriga a usar ISO tão elevado que o resultado fica com cores imundas e sem definição.

Em resumo, conforme diminui a luz ambiente, toda câmera compacta, incluindo esta, atinge o teto do desempenho aceitável muito antes das DSLRs modernas, que praticamente possuem visão noturna. Além disso, não há como comparar a sério a velocidade do autofoco entre os dois gêneros de câmeras; a DSLR já fez o seu burst de fotos enquanto a compacta ainda está buscando foco. Em compensação, a compacta superzoom tem uma versatilidade imbatível e é um investimento único; você pode até buscar teleconversores e filtros para ela, mas não vai precisar encher a bolsa com lentes adicionais. A HS20 é especialmente indicada para quem viaja. Ou então, para quem faz macrofotografia, pois o seu modo supermacro permite fotografar muito de perto, com excelente ampliação.

Outra característica que demonstra a inclinação da HS20 para a fotografia de viagem é o fato de ser alimentada por quatro pilhas, podendo ser alcalinas, recarregáveis de lítio ou recarregáveis de NiMH. Até o passado recente, as alcalinas eram quase inusáveis em câmeras deste tipo, porque eram exauridas em poucas horas. (Particularmente desagradável nesse aspecto foi nossa experiência com uma Olympus UZ há dois anos.) De forma geral, é obrigatório usar pilhas recarregáveis, que têm autonomia superior às alcalinas. Surpreendentemente, a HS20 aguenta fazer perto de 300 fotos (sem flash) com um jogo de alcalinas. Parte desse rendimento excepcional deve ser creditado ao uso de uma lente de zoom manual e não motorizada como na maioria das concorrentes, o que ainda apresenta duas vantagens a mais: é mais rápida de manusear e mais natural. Você fica se perguntando porque cargas d'água alguém no passado achou que seria melhor apertar um par de botões para acionar o zoom.


Veredito

A FinePix HS20 EXR é uma solução tudo-em-um que agrada em todas as situações com iluminação favorável. É compreensível que ela seja grande, mas esperamos que as versões futuras consigam encolher até dimensões comparáveis às de sua irmã menor, a FinePix S3300, que tem a mesma empunhadura perfeita da HS20, mas não conta com uma lente tão absurda nem o sensor de último tipo. Podemos até dizer que a HS20 é a câmera para turismo por excelência – e também um belo instrumento para dar alegria e inspiração a quem está descobrindo a fotografia.


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COMENTÁRIOS
por Marcelo Fonteles em 11/04/2013 às 13h 39min Responder
Dúvida

Qual a opção de captação de áudio da câmera, ela tem entrada p2 para microfone externo?


por Douglas Leal dos Santos em 31/03/2013 às 08h 18min Responder
Agradecimento

Gostaria de agradecer por esta matéria. Recentemente ganhei uma câmera dessa que foi analisada e o artigo me ajudou a compreender um pouco mais do que ela é capaz. Abraço!


por rosinha em 12/05/2012 às 21h 30min Responder
Sem título

Eu to assistindo os jogos de futebol através do site www.tvdigitalnopc.com.br


por Sergio em 08/05/2012 às 11h 05min Responder
Considerações

Tenho uma HS20 Em relação ao uso do formato RAW, você deve utilizar um cartão de moméria classe 10 e utilizar os drivers da camera instalados em seu computador para a correta interpretação do arquivo RAW (.RAF) - Eu só uso ela em Raw e não encontro problemas. Abraços.





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