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Unboxing da Nikon D5100

Postado por Mario Amaya em 13/06/2011 às 12h 07min

A nova câmera de nível entusiasta da Nikon traz novidades para agradar a todo mundo




Tá, Unboxing não é bem o título que este artigo deveria ter, mas sim Primeiras Impressões. A câmera foi enviada pela Nikon na semana passada e nada seria mais justo do que contar logo as primeiras coisas que descobrimos com ela no dia-a-dia, do ponto de vista da experiência prévia com as anteriores D5000 e D90.

Esta câmera é interessante por estar situada no topo da linha amadora da Nikon, exatamente no mesmo nível de público-alvo da Canon Rebel T3i/EOS 600D. A predecessora D5000, uma câmera com corpo pequeno baseado na plataforma da D3100 (D3000, D60, D40), foi a primeira Nikon com LCD articulado e a segunda a capturar vídeo, usando o mesmo sensor da D90. Porém, havia amplo espaço para melhorias, e a D5100 tratou de implementá-las. As maiores diferenças são que o sensor agora tem 16 megapixels (contra 12 da D5000 e D90) e captura vídeo em Full HD (1080p) ou Standard HD (720p), com apenas duas opções de taxas de frames: 30fps e 24fps. E há a opção de autofoco contínuo durante a filmagem. A articulação do LCD passou a ser pela esquerda como na concorrência, obrigando a um rearranjo total dos controles no painel traseiro.



Como é tradição na Nikon, o corpo foi esculturalmente redesenhado e nenhum detalhe da câmera nova reproduz exatamente as formas do modelo antecessor, nem da D3100. É um tratamento estético diferente do dado pela Canon, que busca fazer suas câmeras absolutamente parecidas entre si, com linhas extremamente minimalistas. Cada Nikon nova, por sua vez, tem um capricho cosmético diferente das demais.

A mudança no ponto de fixação do LCD reflete o que é usado pelas Canons Rebel T3i e 60D; a 5000 tinha a dobradiça situada na base e isso foi universalmente criticado por dificultar o ajuste da tela com a câmera montada em tripé. A mudança serviu também para tirar quase um centímetro da altura da D5100, deixando-a tão pequena quanto a D3100 ou uma das Rebels, com uma redução correspondente no peso.



A mudança no LCD obrigou a colocar quase todos os botões no lado direito do painel traseiro, de onde podem ser operados com o polegar da mão direita – o que não deixa de ser um avanço. O lado ruim é que algumas das mudanças não vão agradar completamente o nikonzeiro veterano. O botão Menu ficou solitário no canto superior esquerdo, onde na D5000 ficava a lixeira, enquanto na D5100 a lixeira passou a ser no canto oposto do painel. São dois botões que passaram a seguir o posicionamento usado pela Canon na Rebel T3i. Os botões de zoom, porém, estão ali embaixo, perto do display, onde na Canon fica o botão de visualizar. Este, por sua vez, foi para o lugar do botão Live View da D5000. Na D5100, o Live View é acionado por uma confortável alavanca concêntrica ao seletor de modos no painel superior – mas esse é o mesmo lugar onde na D3100 fica a alavanca de modos de captura, inexistente na D5100, ou a alavanca liga/desliga nas Canon. A gravação de vídeo, que na D5000 era iniciada pelo botão OK no centro da roda direcional, agora tem botão próprio (que só funciona durante o Live View), ocupando a posição onde antes era o botão Info da D5000. Este, por sua vez, foi empurrado um pouco para trás. Por fim, o botão <i>, que dá acesso ao menu de ajustes instantâneos, passou do canto inferior esquerdo do painel traseiro para a vizinhança da ocular, junto ao botão AE-L/AF-L. E continua não existindo botão dedicado para ISO, nem botão dedicado para balanço de brancos.



Deu para acompanhar? Em resumo, é uma mudança ergonômica bastante ampla para uma Nikon. Só esperamos que ela se reflita em outros futuros modelos da marca, porque toda vez que os botões mudam de lugar, isso causa incômodo; a nossa insatisfação com alguma dessas mexidas é garantida. Por que tiveram que deslocar o útil botão Info (ele serve para apagar rapidamente o LCD), o que faz o veterano apertar acidentalmente o botão de gravação de vídeo, o qual não faz absolutamente nada se não estiver em Live View? O botão de reprodução também não ficou bom no lugar onde está, o que nos dá vontade de inquirir: já que os projetistas aproveitaram para copiar alguns aspectos da Canon, por que não também esse detalhe crucial?

Mas as reclamações acabam por aqui. A qualidade de imagem da câmera é extraordinária para sua faixa de preço, sendo seriamente superior à das D5000 e D90, que já tiveram uma larga cota de elogios de críticos e usuários em seus dois anos e meio de vida. A imagem do novo LCD é bem diferente, graças ao upgrade para uma versão de 920 mil pontos; as imagens na telinha são satisfatoriamente nítidas, e finalmente pode-se fazer foco manual na filmagem sem grande dificuldade. Mas a representação das cores na telinha também mudou. Agora elas possuem contraste profundo, pretos carregados e saturação intensa, características que não se viam no modelo anterior. No computador vê-se que o tratamento dado às imagens pela câmera não mudou tanto assim em relação à sua predecessora, mas a sua visualização ao vivo no LCD mudou consideravelmente, a ponto de exigir um pouco de adaptação.

A outra coisa que se nota já no LCD é que as imagens estão com uma qualidade mais 'cremosa' e menos 'granular' - em que pese a subjetividade dessa descrição, mas creio que você terá a mesma sensação se fizer a comparação -, especialmente em ISOs elevados. A resolução do sensor aumentou, mas de alguma forma mágica o rendimento também aumentou, e não foi pouco. Julgando com o olho, a máquina parece ter ganho dois pontos de relação sinal/ruído em apenas uma geração de sensor, de D90/D5000 para D7000/D5100 – ambos sensores fornecidos pela Sony. O DxOMark indica uma melhora quantitativamente mais modesta, mas ainda assim, é significativa: subiu de 12,5 para 13,6 pontos de latitude e o rendimento em qualidade de imagem versus ISO é 34% superior. Ainda segundo o DxOMark, a latitude da D5100 é a mesma da D3S e o nível de detalhe versus ISO aproxima-se da metade. Isso tudo numa câmera criada para o mercado consumidor, não para profissionais!



A foto acima foi feita na rua com a lente AF-S 55-200mm f/4-5.6G ED (falaremos mais sobre ela adiante) a 200mm, f/5.6, 1/125, ISO 320, JPEG Fine, resolução nativa (4928x3264px), medição matricial, D-Lighting em Low, brancos em Auto e cores em Vivid. À primeira vista, é típica Nikon: ligeiramente subexposta para proteger as altas-luzes, tonalidade geral ligeiramente fria e azuis saturados.



Agora vemos a imagem ampliada em 1:1 numa área próxima ao centro do quadro. Observação imediata: todos os defeitos ópticos da lente - que não é nada ruim, veja bem! - ficam visíveis nessa ampliação. Sempre dissemos que a lente é mais determinante da imagem que o corpo, e aí está uma prova concreta. Se quiser baixar a foto original gerada pela câmera, aqui está (download de 5,6 MB).

Efetivamente, dá para fazer fotos usáveis até no ISO nominal máximo de 6400, havendo a arriscada opção de elevar a faixa de ISO até rarefeitos 25600 com resolução reduzida – algo mais útil para vídeo ou imagens paradas que não precisem de grande ampliação. Processando as fotos com critério, é muito difícil notar qualquer ruído ou perda de detalhes na faixa de ISOs de 100 a 1600. Pessoalmente, trabalho em prioridade de abertura e deixo que a câmera selecione o ISO automaticamente entre esses valores, usando uma velocidade de obturador de referência de 1/60 para as lentes mais curtas e de 1/125 para as mais compridas. Funciona muito bem!

Outra coisa notável é que a câmera produz menos ruído mecânico (espelho, obturador e diafragma) que a D5000, que já não era lá muito barulhenta, e finalmente o autofoco em Live View serve para alguma coisa; o da D5000 era enfurecedoramente lento e, na prática, útil somente para a fotografia de stills de objetos. Já o autofoco em Live View da D5100 é aceitavelmente veloz para uso durante filmagens. Mas o ruído do motor de foco da lente é gravado com toda a nitidez pelo microfone interno. A solução obrigatória é usar um microfone externo, e felizmente a Nikon está providenciando um para essa tarefa, o ME-1, que vai encaixado na sapata de flash.



Os menus são os mesmos das outras Nikons, com algumas opções simplificadas em relação à D5100. Onde há uma mudança mais significativa é na adição de modos de cena e efeitos – a nova opção no seletor de modos. Os efeitos mais intrigantes são o de silhueta, uma simulação simples do efeito de tilt-shift com plano focal inclinado e o efeito de cor seletiva, pelo qual se eliminam todas as cores na cena, exceto até três à sua escolha. O interessante aqui é que esses efeitos podem ser aplicados à captura de video. Dois outros – High Key e Low Key – não são propriamente efeitos, mas ajustes de curva de gama.

A câmera pode ser adquirida com a lente zoom padrão AF-S DX 18-55mm f/3.5-5.6G estabilizada – apenas razoável em termos absolutos, porém opticamente superior à correspondente da Canon. Há também uma zoom AF-S DX 55-200mm f/4-5.6G ED, que é uma ótima opção de zoom longa de nível entusiasta e preço não muito salgado. Esta lente desempenha bem sob boas condições de luz, com pouca distorção ou aberrações e ótima nitidez no extremo mais longo de distância focal, inclusive nas aberturas maiores. Ela é relativamente escura, mas compensa isso com o tamanho físico reduzido, e casa bem com o fantástico desempenho em ISO alto da D5100. Em resumo, é uma lente que entrega mais do que promete, mesmo com sua construção relativamente modesta, denotada pelo encaixe de baioneta em plástico preto como o da 18-55mm. O ponto negativo mais digno de nota é que tanto numa como na outra lente o anel de foco é ruim para usar manualmente, muito pequeno e com pouco curso. Na 18-55mm o elemento externo gira ao focar, complicando o uso de polarizadores e filtros graduados. Já a 55-200mm tem focalização interna e o elemento exterior não gira. Em compensação, não é estabilizada.

Como se poderia esperar, a Nikon D5100 é instantânea nos controles, com uma só exceção: ao processar os novos modos de efeitos, a resposta na tela sofre um pouco. A velocidade em captura contínua (burst ou rajada) permanece em 4fps, mas ela consegue capturar até 10 imagens seguidas em RAW+JPEG ou 15 em JPEG Fine, contra apenas 5 em RAW na D5000. Ou seja, basta colocar um cartão SD veloz para ser feliz.

Note que as câmeras de nível básico, como a D5100 e a D3100, não possuem motor de foco para as lentes, exigindo o uso de lentes com motor próprio. Elas são designadas pela sigla AF-S. Se você usar lentes mais antigas, terá de focalizar manualmente. Para fazer isso olhando pela ocular, ative o telêmetro eletrônico (Rangefinder), função que vem desligada de fábrica, ou confirme o foco ampliando o centro da imagem em Live View. Não é tão ruim quando se considera que os corpos atuais da Nikon aceitam praticamente qualquer lente fabricada pela marca desde 1959.

Resumindo tudo, a nova Nikon resolve os principais problemas da D5000 - tamanho, articulação da tela, LCD fraco, falta de vídeo 1080p, autofoco inútil em Live View - e a nova disposição dos controles aproveitou para melhorar algumas coisas, ainda que não seja perfeita. É um produto muito satisfatório para quem precisa de uma DSLR potente, mas ao mesmo tempo relativamente pequena e bem versátil. Vai ser um sucesso.


Observações adicionais

Eis algumas coisas interessantes observadas na câmera que faltaram no texto original acima.

- Mais uma vez a bateria mudou. É a mesma da D3100, mas incompatível com as de Nikons de gerações anteriores. Havia mesmo necessidade de mudar tudo de novo? O compartimento da D5000 estranhamente não prendia a bateria; se você o abrisse com a câmera de lado ou de pé, ela podia 'cuspir' a bateria para fora. A D5100 traz a esperada lingueta plástica retentora.

- A D5100 não fica acendendo o LCD para reclamar que não pode 'formatar' o cartão quando não há nenhum cartão nela, como a D5000 irritantemente faz, até mesmo quando está desligada na chave Off/On.

- Se você fotografa em JPEG+RAW, que foi o que fizemos o tempo todo como teste, a câmera ainda consegue fazer 'bursts' longos, mas responde mal durante o longo tempo necessário para gravar tudo no cartão de memória. Por isso, recomendamos usar o cartão mais rápido possível para fotografia still. Já para gravar vídeo, um cartão SDHC comum suporta gravação na qualidade máxima. O formato é MPEG4.

- O vídeo em 1080p/30fps tem qualidade impecável, digno de confrontar a Canon. O efeito 'rolling shutter', que é a praga de todas as DSLRs em filmagem, é quase imperceptível na Nikon. Não existe, porém, ajuste manual do obturador. Tremores ao filmar com a câmera na mão são inevitáveis e distraem, mesmo com a estabilização óptica ativada nas lentes que a suportam. Panning só mesmo com apoio em tripé, e travelling só é possível se você fizer algum truque extra, como acoplar um monopé. E não se fie demais no foco servo-contínuo em vídeo. Além de fazer um barulho forte (microfone externo é essencial ao usar autofoco), o autofoco facilmente se atrasa em relação ao movimento do assunto e fica 'caçando', mesmo em situações de luz excelente. Foco manual ainda é muito melhor em filmagem, se você tiver prática. Reserve um tempo para repetir as tomadas de filmagem inúmeras vezes até pegar o jeito de controlar a lente.

- A D5100 não possui o desagradável bug não-resolvido da D5000, pelo qual o disco de controle pode alterar os parâmetros de captura (obturador, disfragma) quando usado durante o Image Review para navegar entre as fotos. Falta agora atualizar o firmware da D5000, certo, Nikon?

- A D5100, assim como a D3100, exige lentes AF-S para fazer autofoco. Todas as outras lentes Nikkor 'AF' só focam manualmente. Estranhamente, o recurso Rangefinder (um auxílio visual na ocular óptica para o foco manual) permanece desativado por padrão nesta câmera, como na D5000. Dica para usar o Rangefinder: faça a focalização sempre de perto para longe, parando de avançar o anel exatamente quando a barrinha do meio se acende. Se focalizar de longe para perto, o foco estará longe demais, mesmo a barrinha indicando que não.



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COMENTÁRIOS
por rosinha em 17/05/2012 às 19h 17min Responder
Sem título

Graças a www.tvhd.com.br a Sky nunca mais vai ver a cor do meu dinheiro


por Vitor em 12/08/2011 às 00h 42min Responder
DUVIDA

Eu mudo a chave da minha D7000 para OFF, mesmo assim ela fica com a figura do Cartão, como faz para ela desligar completamente, sem precisar tirar a bateria? Obrigado


por Diego em 19/07/2011 às 17h 28min Responder
Iris Manual

Bela postagem, porem , tenho uma duvida, acabei de comprar uma d5100 e tento colocar o iris no manual, porem, nao acho essa opcao...tem como me dar um Help?





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