Nikon D5100 e Canon T3 vêm aí para conquistar amadores e entusiastas
Apesar do desastre no Japão, as duas maiores empresas fotográficas não se abalaram e mantiveram o ritmo de lançamentos. Canon e Nikon apresentaram atualizações importantes na linha de DSLRs amadoras com apenas dois dias de diferença.
CanonA Rebel T3i (EOS 600D na Europa), anunciada pouco antes do terremoto de março, veio com a intenção de capturar o mercado amador. Seu mix de recursos é atraente para uso geral, ainda que não seja inovador, pois inclui o mesmo sensor de 18 megapixels, sistema de fotometria e foco e captura de vídeo em Full HD (1080p) da antecessora Rebel T2i. Porém, ela ganhou uma tela LCD articulada igual à da EOS 60D. Tudo isso cabe num corpo bem pequeno e de linhas arredondadas, com o preço sugerido na faixa dos US$ 1100.

Logo a seguir vem a sua irmã caçula, a Rebel T3 (EOS 1100D na Europa), para substituir a Rebel XS (EOS 1000), modelo que já exibia sinais da idade (dois anos). Ela traz várias simplificações técnicas. Seu sensor de 12,2 megapixels tem sensibilidade de ISO 100 a 6400 e captura vídeo em Standard HD (720p). Houve atualização no sensor de fotometria (é o mesmo tipo de 63 zonas de dupla camada da T3i) e no autofoco (9 pontos em cruz). O processador interno de imagens também é novo (DIGIC 4), mas o desempenho da câmera em captura contínua é seriamente limitado em comparação ao de suas irmãs maiores: produz até 7 imagens JPEG sequenciais à taxa de 3 por segundo. Além disso, a janela da ocular de pentaespelho é ainda um pouco menor que a da T3i, que já não é grande. A tela é fixa no corpo, com resolução de 230 mil pontos; o da T3i, além de ser articulado, usa um LCD mais nítido, de 1040 mil pontos.


Fotógrafos mais técnicos podem achar a T3 muito fraquinha em comparação aos modelos superiores, mas é preciso levar em conta seu preço, muito mais acessível que o da T3i: ela custa somente US$ 600 com a lente do kit, a 18-55mm f/3.5-5.6 estabilizada. Existem muitas câmeras compactas com qualidade de imagem pior que custam até o dobro disso, sem as vantagens do sensor maior e da possibilidade de intercambiar lentes; portanto a T3 é uma pedida segura para entusiastas e estudantes de fotografia, tanto quanto já eram suas antecessoras.
Nikon
A Nikon vendeu, desde 2009 até o começo de 2011, o modelo D5000, seu primeiro a apresentar uma tela LCD articulada, facilitando a captura de vídeo de ângulos difíceis e a fotografia discreta em ambientes públicos. Ela usava o mesmo sensor de 12MP e o mesmo processador de imagem da célebre D90, num corpo reduzido similar ao da D3000. Agora chegou a vez da D5100, que traz atualizações para eliminar todos os pontos fracos da antecessora. A intenção é competir diretamente com a Canon Rebel T3i, só que por um preço sugerido mais baixo: US$ 900 com a lente 18-55mm f/3.5-5.6 estabilizada.

Em primeiro lugar, a tela articulada agora tem sua dobradiça pela esquerda, como nas Canons, e não mais por baixo como na D5000. Essa mudança eliminou a dificuldade de ajustar a posição da tela com a câmera montada em tripé, que ocorria com a D5000, e ainda diminuiu a altura do corpo em vários milímetros. Curiosamente, o visual da câmera também está mais parecido com o das Canons; não apenas pela migração dos botões traseiros para a parte direita do corpo, mas também pelo desenho mais curvilíneo na parte da frente.


Mas as mudanças vão bem além do cosmético ou funcional. A D5100 oferece vídeo Full HD (1080p) a 30fps, melhor que o vídeo bastante limitado da D5000, que era Standard HD (720p) a 24fps. A faixa de ISO foi expandida até o equivalente a 25600. O autofoco em Live View, que era praticamente inútil, ganhou um modo AF-F (contínuo) que também funciona ao gravar vídeo. O LCD agora é de 921 mil pontos, o mesmo da D7000, e a câmera ganhou um segundo receptor de controle remoto infravermelho na traseira. O sensor também é novo: 16,2 MP.
As mudanças nos botões poderão causar alguma polêmica. A D5100 passou a ter a chave de Live View integrada ao seletor de modos, e o botão para gravar vídeo está numa ótima posição ao lado do disparador, mas só funciona se a câmera já estiver em Live View - o que é perfeitamente lógico numa DSLR, mas pode confundir os mais distraídos. Os botões de zoom na reprodução e de lixeira ficaram reunidos na parte de baixo, o que é um pouco esquisito e não vai agradar a todos. Parece até que escolheram esse lugar especificamente para a câmera não parecer uma Canon.
Para quem quer relaxar e brincar com a câmera, foram expandidos os efeitos criativos de imagem (recurso inspirado em câmeras da Olympus que não se acham no mercado brasileiro). É possível fotografar diretamente com os efeitos ou aplicá-los como pós-processamento na câmera. Mais útil é o modo de HDR automático: ponha a câmera no tripé, ative o HDR e ela combinará duas fotos sucessivas da cena obtidas com exposições diferentes. Existe também um efeito apelidado Night Vision, que expande o ISO para o equivalente a 102.400 (ou seja, dois pontos de diagfragma além do limite oficial; não é tanto assim como parece). Existe até mesmo um efeito de miniatura, que desfoca as partes de cima e de baixo da imagem para simular uma captura com lente tilt-shift.

Por fim, quem quiser usar Nikons para capturar vídeo agora dispõe de um microfone estéreo opcional, o ME-1, que vai encaixado na sapata de flash e possui isolamento no suporte contra ruídos gerados pelo motor de foco da objetiva.
Rumores
Desde o terremoto de março no Japão e os danos sofridos pela indústria em decorrência do tsunami, os sites de rumores têm tido trabalho adicional para adivinhar os modelos e datas dos próximos anúncios. Falava-se em Nikons full-frame - D800 ou D4 - para este semestre. Pode ser ainda que uma das duas apareça logo, mas não ambas juntas. Entre as Canons, há uma expectativa enorme pela EOS 5D Mark III. Mas não adie sua compra de equipamento por causa de um rumor. Ninguém sabe quando ela poderá vir, nem os recursos novos que trará. A data mais frequentemente aventada para seu lançamento, antes do terremoto, era outubro deste ano. Ainda dá para fazer muita coisa boa até lá com a sua atual EOS 5D Mark II.
60 milhõesO sistema de lentes da Nikon, a baioneta F, foi inaugurado em 1959, junto com a primeira câmera Nikon F. A empresa acaba de comemorar a fabricação de 60 milhões de lentes Nikkor para o seu padrão. Detalhe: a imensa maioria delas é compatível com qualquer DSLR Nikon nova, incluindo as lentes mais antigas que só funcionam em modo manual.