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O celular irá substituir a point-and-shoot?

Postado por Mario Amaya em 17/12/2010 às 00h 44min

A conectividade social dos smartphones é mais importante que os megapixels do sensor



DPBR INVESTIGA  por Mario Amaya

Dá para montar uma linha do tempo – aquele recurso infográfico que onze entre dez jornalistas adoram usar para expor a evolução de um conceito com mais clareza. Na década de 1890 a caixinha mágica da Kodak já era suficientemente automatizada para conquistar o público leigo: “você aperta o botão e nós fazemos o resto”. Na década de 1920 foi inventada a mitológica Leica, uma câmera que ainda hoje pode ser considerada bem pequena e razoavelmente intuitiva. Alimentada por rolos de 35mm, medida de filme originalmente criada para cinema, ela (e suas infinitas cópias) definiu esse como o principal formato de filme fotográfico durante todo o resto do século. Formatos de filme diferentes até tentaram disputar o público, oferecendo o benefício de câmeras menores e ainda mais portáteis,  mas só quando a era digital chegou para valer é que o velho equilíbrio das forças ruiu. Como efeito imediato, o Japão consolidou de vez sua preponderência no mercado e na direção geral do desenvolvimento tecnológico. Curiosamente, o formato de sensor APS-C, atual padrão de muitas câmeras digitais, foi diretamente baseado num desses padrões alternativos de filme. O sistema APS era sofisticado, mas chegou tarde demais para fazer diferença.
Um dos méritos da tecnologia digital é a tendência da miniaturização extrema, que permitiu colocar câmeras cada vez menores em contextos cada vez mais insólitos. Até que chegaram sem pedir licença os telefones dotados de câmeras, intrusos totais no sacrossanto mercado fotográfico, e fizeram desabar o mundo das camerinhas de bolso...
OK, aqui já estamos falando de uma perspectiva futura, mas não tão à frente assim como podemos pensar. Quem acompanha as estatísticas de uso do Flickr por modelo de câmera já percebeu uma tendência geral de declínio na participação geral do gênero das câmeras point-and-shoot básicas e uma correspondente expansão acelerada dos smartphones com câmeras. Ainda não é um movimento explosivo, mas está acontecendo. E em parte, porque os celulares com câmeras conseguiram se diferenciar bem da oferta de câmeras do mercado tradicional. Receita do sucesso: conectividade ilimitada e pequenos aplicativos divertidos e irreverentes.


Diferenciação é tudo
O principal motivo que explica a mudança rápida de tendência nem é a melhoria na qualidade de imagem dos smartphones – com lentes pequeninas e sensores minúsculos, não dá para fazer milagres. A mais recente geração das point-and-shoots finalmente tomou jeito e pôs um pouco de lado a corrida insana dos megapixels, em prol de uma sensibilidade melhor em ISOs altos – o aspecto mais fraco das pequeninas. O problema aqui é que, se a indústria de câmeras achava que a resposta que o público esperava era simplesmente aumentar mais um pouco a qualidade de imagem, quebrou a cara. As pessoas que toparam migrar das PowerShots e Cyber-shots para o iPhone não estavam desejando mais pixels, nem pixels mais limpos, e sim os recursos de portabilidade e conectividade que resumem a própria natureza dos celulares.
Estranhamente, as câmeras digitais de quase todas as marcas nunca tiveram como ponto forte a conectividade sem fio, de qualquer tipo que fosse. O sistema EasyShare da Kodak foi a única reação clara e nítida dentro da indústria; as demais grandes marcas cochilaram. O EyeFi chegou relativamente tarde; é uma solução engenhosa e compatível com muitas câmeras, mas não deixa de ser gambiarra usar um cartão de memória no papel de transmissor de dados sem fio. A implementação do recurso de conectividade era obrigação dos fabricantes das câmeras. Não foi por eles não terem tido a ideia que as câmeras tradicionalmente não vêm com conectividade decente; os primeiros modelos digitais profissionais, há 20 anos, já previam alguma facilidade de transmissão, a fim de auxiliar o trabalho dos jornalistas. Hoje em dia, um fotorrepórter em campo pode sentir-se frustrado ao ver-se cercado de pessoas leigas que enviam instantaneamente fotos dos acontecimentos pelos seus celulares, enquanto ele necessita no mínimo de um laptop por perto para baixar e processar a imagem antes de enviá-la à redação.
O resultado é uma década e meia utilizando câmeras que dependem totalmente de um computador para fazer qualquer coisa com as fotos que tiram. Era questão de tempo para o público eliminar a etapa intermediária. A escassez de recursos de publicação das imagens dentro das câmeras deixou evidente que os fabricantes descuidaram de um aspecto fundamental da atual experiência fotográfica: as pessoas querem poder exibir suas fotos a qualquer momento e em qualquer canal de comunicação. Chega a ser inexplicável a maneira como as grandes empresas da fotografia não perceberam a tempo que, em época de iPhone e Android, de chats de texto permanentes e até videoconferência na palma da mão, uma câmera que é preciso levar para casa para descarregar as fotos para um PC é uma coisa extraordinariamente deselegante.
Se a principal exigência do consumidor é relacionada à distribuição de sua informação pessoal, e não mais às características ópticas do dispositivo, que eram o feijão-com-arroz do marketing das câmeras até os primórdios da era digital, praticamente de um momento para o outro o smartphone passou a ser o aparelho mais atraente para a fotografia casual. Um smartphone não se presta a tirar uma foto e passar um tempo enorme editando e polindo a imagem. Um smartphone é para capturar visualmente um instante da vida e repassá-lo aos seus amigos, da mesma maneira que uma mensagem de texto curta no SMS ou Twitter, um link de vídeo bacana no mural do Facebook ou um destaque no Tumblr (usualmente sem crédito para o originador da imagem; eis outra característica imanente desse ambiente hiperconectado, mas esse é um assunto que demanda um outro artigo à parte).
E já que a câmera do smartphone não tem enormes pretensões de registrar imagensque sejam fiéis à realidade física, tanto melhor é quando o aparelho possui funções engraçadas e divertidas de distorcer, filtrar e de diversas outras maneiras personalizar a imagem e atribuir-lhe uma expressividade instantânea e experimental. A grande moda do momento é fazer as imagens de celular parecerem fotos de Polaroid dos anos 1970, filmes Kodacolor arroxeados, cópias de negativos desbotadas em sépia, cromos revelados com processamento cruzado e inúmeras outras referências à estética do filme, fazendo uma conexão entre a geração atual, que já cresceu num mundo digitalizado, e a geração de seus avós.


Mas, afinal, por que a câmera do iPhone é tão legal?

Se fosse somente uma câmera, o iPhone não empolgaria ninguém. 5MP é a capacidade do sensor de imagem. A lente fixa de 3,85mm tem uma cobertura equivalente a 28mm. E é só. O modelo atual faz HDR, mas isso é por virtude do software e não do hardware.
Para saber o que está acontecendo na cena do iPhone como câmera fotográfica, é só visitar o website iPhoneography. O site posta várias notas diárias falando somente da câmera interna do iPhone e dos programas para tirar proveito dela, que não param de surgir.
Efetivamente, um ingrediente fundamental na sedução pelos celulares são os programinhas, vários deles totalmente gratuitos, que modificam as imagens para criar versões estilizadas das fotos. O outro ingrediente é a infraestrutura de dados que permite compartilhar essas criações imediatamente nas redes sociais da Internet. Quando ambos os recursos vêm reunidos num programa só, então, melhor ainda.
É por esse motivo que o Instagram, um programa gratuito, virou uma febre entre os usuários de iPhone. Ele carrega as suas fotos para, entre outros serviços, o Tumblr – um tipo de blog de imagens e textos no qual as postagens podem ser livremente repassadas adiante por outras pessoas. Eis alguns outros programas de sucesso para o celular da Apple: Camera Plus Pro (US$ 1,99), Hipstamatic (US$ 1,99), BlendCam (grátis), ColorSplash (US$ 1,99), Darkroom (grátis) e QuadCamera (US$ 1,99).
A estilização das fotos no celular tem um espírito muito reminiscente da Lomografia, com as vantagens da gratificação instantânea e de um suprimento ilimitado de “filme vencido” virtual. Outro exemplo de utilização: há programas dedicados a forjar o efeito tilt-shift (desfoque seletivo) em fotos e também em vídeos.



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COMENTÁRIOS
por ana calra em 03/10/2011 às 20h 34min Responder
bobagem

que bestas


por Andrews Agostinho em 18/05/2011 às 20h 32min Responder
Eu tenho

Realmente, quem tem um iPhone, tem uma gama infinita de aplicativos para fotografar, editar e compartilhar seu registros. Com boa luminosidade, você olha a foto e não diz que ela foi tirado por um celular. Mas é Pelo menos por enquanto.


por Idemar José dos Santos em 10/01/2011 às 14h 51min Responder
Sem título

O conhecimento que se adquire com essas informações é de um peso enorme aos desbravadores do saber sempre mais!!!


por Idemar José dos Santos em 10/01/2011 às 14h 46min Responder
Sem título

O conhecimento que se adquire com essas informações é de um peso enorme aos desbravadores do saber sempre mais!!!


por Paulo Sergio em 18/12/2010 às 01h 12min Responder
Sem título

Parabens. Detono o tema.





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