Técnica fotográfica da moda invade os smartphones

A Apple está lançando uma nova versão de seu sistema operacional para iPad e iPhone, o
iOS 4.1. O novo software traz aperfeiçoamentos para a câmera, incluindo a captura e processamento de imagens HDR
(High Dynamic Range) dentro da câmera.
Já faz vários anos que câmeras digitais de todos os níveis trazem o recurso de
bracketing de exposição automático. Funciona assim: você seleciona o grau de diferença de exposição entre as imagens e a câmera produz três fotos sequenciais: uma com exposição normal, uma subexposta e uma sobreexposta. Essas imagens podem ser combinadas para gerar uma foto HDR no seu computador, usando um programa como o Adobe Photoshop ou o Photomatix.
No ano passado começaram a surgir câmeras compactas com o poder de combinar capturas sequenciais e gerar a foto HDR, sem necessidade de processamento no computador. Agora, dispositivos que rodam o iOS - iPhone e a nova versão do iPod touch - ganharam essa facilidade. Quando o dispositivo está em modo de captura HDR, ele gera a imagem HDR automaticamente e guarda junto com ela a foto de exposição normal, para o usuário poder comparar as duas versões.
Embora o smartphone e o tocador de mídia venham com uma câmera de lente fixa e sensor de 5 megapixels, resolução que não impressiona ninguém no mundo fotográfico, ela é capaz de gravar vídeo HD (720p), o que denota uma elevada velocidade de captura e processamento. E traz recursos que a maioria das câmeras de bolso dedicadas ainda não tem, como a geolocalização automática das fotos através do GPS interno e o recurso
tap-to-focus, pelo qual o ponto de foco da cena pode ser assinalado diretamente na tela sensível ao toque.
Um ponto, porém, em que ficam devendo as pequenas câmeras dos smartphones - e também as câmeras compactas de bolso - é o alcance dinâmico (latitude de exposição) mais limitado que o de câmeras tipo DSLR, que usam sensores maiores. Além do ruído inerentemente mais elevado nas câmeras pequenas em ISOs mais altos, é trivial obter sombras completamente pretas e altas-luzes estouradas nas cenas de maior contraste. O HDR, ao combinar digitalmente duas ou mais fotos do mesmo assunto com exposições diferentes, preserva esses detalhes que seriam perdidos.

No entanto, as imagens usadas pelo CEO Steve Jobs para apresentar o HDR no iOS 4.1 são um pouco suspeitas. O que é mais intrigante é que as imagens de exemplo mostradas pela Apple incluem retratos de pessoas, além das paisagens e outros assuntos estáticos que permitem fazer HDR com facilidade. A última das fotos de exemplo mostradas (acima) claramente não pode ser HDR de verdade, pois uma pessoa caminhando no fundo à direita aparece exatamente na mesma posição na foto de exemplo com HDR e sem HDR. A foto HDR deveria mostrar essa pessoa ligeiramente borrada ou, no caso de exposição mais longa, um fantasma translúcido. Imagens de pessoas ou outros assuntos que se movem só podem ter nitidez se não registrarem nenhum movimento entre as diferentes exposições, e isso só pode ocorrer sob situações de forte iluminação, que permitam tempos de exposição muito curtos e com pouquíssimo intervalo de uma imagem para outra.
Convém, portanto, aguardar os novos dispositivos rodando o novo software para comprovar até onde eles conseguem desempenhar o HDR com retratos de pessoas.