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Câmeras do futuro

Postado por Mario Amaya em 13/07/2010 às 13h 41min

Quais são as próximas tecnologias que surgirão em nossas câmeras?




Já falamos sobre os planos para o futuro da Sony, maior fornecedora de sensores para câmeras digitais (incluindo as de outras marcas como Nikon e Casio). Agora é hora de conhecer as ideias da Canon. Na exposição mundial de Shanghai, na China, a empresa participou do pavilhão japonês apresentando um conceito de câmera para o mercado consumidor daqui a 20 anos. Além de a companhia exibir o que acredita serem recursos padrão de uma câmera em 2030, também mostrou um protótipo funcionando ao vivo. (Veja a demonstração neste vídeo da Gizmag no YouTube.)

A apelidada Canon Wonder Camera oferece os seguintes recursos:

• Captura de vídeo e de imagem estática completamente fundidas numa coisa só. Para obter uma imagem estática, é só escolher um frame (quadro) do vídeo e reenquadrar a gosto, na própria câmera.

• Resolução tão elevada que permite destacar em close qualquer elemento de qualquer cena (como no filme Blade Runner ou no seriado CSI - só que de verdade!).

• Autofoco instantâneo e profundidade de campo ilimitada, podendo mostrar tudo em foco na cena ao mesmo tempo.

• Estabilização de imagem que elimina completamente a necessidade de tripé, mesmo em zoom ultralongo.

A câmera-conceito tem uma comprida lente integrada que é acionada por toques na lateral, um display traseiro fundido ao corpo e conexões sem fio. O protótipo demonstrado ao vivo, embora com a mesma aparência, era conectado por fios a uma mochila contendo circuitos adicionais. Para espanto e alegria da plateia, a câmera foi apontada para o público e reconheceu instantaneamente dezenas de rostos, destacando somente as pessoas que sorriam.

Fotógrafos podem fazer várias objeções ao conceito da Canon. Primeiramente, o consumidor não gosta de câmeras grandes. Naturalmente, pode ser que a câmera do futuro contenha alguma magia que encolha a óptica da lente, o que seria ainda mais revolucionário. Por sua vez, a potente computação visual incorporada na máquina irá detectar e aproveitar informações visuais que atualmente permanecem ocultas na foto.

Com efeito, este artigo de 2009 na revista de tecnologia do MIT revela que os cientistas do instituto já inventaram soluções para vários dos maiores problemas técnicos da fotografia. Uma delas é a eliminação do borrão de movimento (motion blur). A técnica consiste em mover o sensor muito rapidamente e capturar uma série de imagens em rápida sucessão, em vez de uma única foto; a câmera analisa o resultado, isolando as partes mais nítidas de cada imagem (no caso, as partes cujo movimento coincide com o do sensor no instante da captura), compondo uma imagem artificial em que tudo aparece nítido. Tanto isso é possível que uma versão crua desse conceito acaba de dar as caras nas câmeras Cyber-shot da Sony.

Outra inovação é a chamada fotografia polidióptrica ou plenóptica (demonstração aqui), que inclui uma configuração diferente de sensor e lente, produzindo uma imagem em quatro dimensões, contendo informação sobre a distância de cada objeto na cena. O processamento da imagem pode depois fazer a reconstrução nítida dos objetos desfocados. Isso quer dizer que dá para escolher qualquer ponto de foco após a tomada da imagem, ou até mesmo múltiplos pontos de foco de uma só vez para a obtenção de uma imagem inteiramente nítida, como se ela tivesse sido feita com uma abertura muito pequena.

Também é possível o contrário: desfoque deliberado de objetos, simulando o bokeh gerado por uma objetiva com abertura grande, até mesmo numa minúscula câmera de celular. Assim como na eliminação de borrão, o segredo consiste em mover o sensor e capturar várias imagens em rápida sequência para então combiná-las digitalmente.

Mais ainda: reconhecimento automático de objetos em qualquer imagem, o que permitirá a mudança na iluminação de objetos específicos dentro uma cena, sem necessidade de fazer recortes. Ou então, reenquadrar a cena a partir de um ângulo diferente sem tirar a câmera do lugar onde está.

Todos esses recursos já foram conceitualizados e é simples questão de tempo para que façam parte das nossas queridas câmeras de bolso, simplificando a captura casual por leigos - mas sem necessariamente competir com a fotografia profissional como a entendemos hoje, já que a fotografia envolve muito mais que o equipamento.

As imagens multifocais com todos os objetos nítidos não são desejáveis em muitos gêneros de fotografia, mas certamente é algo que eliminaria algo que a maioria das pessoas considera um estorvo - a necessidade de estabelecer o foco a cada captura. Não esqueçamos que a Canon Wonder Camera é dirigida ao público comum leigo, não a especialistas com exigências criativas específicas. A Canon sabe que a indústria de câmeras precisa se diferenciar em recursos dos cada vez mais comuns dispositivos dotados de câmeras embutidas, como celulares e computadores, e nada mais útil para isso que uma câmera com capacidade de processamento tão elevada que se possa modificar completamente o escopo de uma imagem a qualquer momento após a captura - sem que isso implique tratamento à mão em um PC.

Enquanto isso não vira realidade, o que é plausível imaginar são sensores com resolução tão alta e dispositivos de armazenamento com capacidade tão elevada que se possa reenquadrar qualquer imagem após a captura, mesmo que a imagem seja extraída de um frame de vídeo, já que a tendência principal é de fundir imagem estática e vídeo.


TAGS    canon   Cameras   MIT   futuro


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